Pequeno perfil de um cidadão comum

domingo, 4 de abril de 2021

Pessach


A Páscoa, originalmente, é cheia de belos simbolismos que entrelaçam culturas e atravessam os tempos. 

Um desses simbolismos, que surgiu em outro tempo histórico e o que me desperta mais interesse, é o que apresenta o triunfo da vida sobre a morte - Jesus, O sublime Galileu, é a expressão máxima e definitiva deste triunfo.

A morte é passagem, significado original da palavra páscoa (do hebraico pessach). Mas vejo a vida como a permanência e a impermanência em inesgotável alternância e evolução. A morte é a ponte que liga um lado ao outro da estrada. A vida é a estrada. E uma estrada encontra outra estrada, e outra estrada, e assim a viagem alcança novos destinos, sempre.

Com estas palavras, rendo uma simbólica homenagem aos que "perderam" entes queridos, em especial aos familiares e amigos dos mais de 330 mil mortos por Covid em nosso país, bem como em todo o mundo, atingido pela pandemia desde 2020.

Jesus nos convida, há milênios, a abençoar e dignificar a nossa vida. Nos indicou o caminho, através das luzes de  inequívoca e imorredoura exemplificação. Sinalizou-nos sobre as diversas moradas do Pai, a imortalidade da alma, a finitude da morte e a continuidade da vida...

Uma Páscoa de reflexão e paz para todos!

Paulo C. F. S.

quarta-feira, 10 de março de 2021

Pandemia: como ficar em casa?

 

Do ponto de vista econômico, o problema não é a necessidade do isolamento social e do fechamento momentâneo do comércio e outras atividades. O problema é a incapacidade, a inércia, a não ação do Governo Federal, o único ente capaz de dar as condições, de prover os recursos financeiros necessários para que as pessoas pudessem fazer o isolamento e para que os pequenos e médios empresários conseguissem manter os seus negócios fechados por um determinado período. 



Só o governo federal tem a Casa da Moeda do Brasil, tem o Tesouro Nacional, dentre outras estruturas, instituições e capacidades. Pode, inclusive, mandar imprimir dinheiro se necessário, pois numa pandemia como a que atravessamos, tal política não causaria impacto inflacionário. Todos os principais economistas e analistas especializados tem batido nesta tecla há meses e meses. Ou seja, o problema é de gestão estratégica da crise pandêmica e de coragem e decisão política para contrapor o Mercado Financeiro.

Paulo Stocco, Geógrafo, Analista Ambiental e Professor.

10/03/2021

segunda-feira, 8 de março de 2021

Xadrez verde-e-amarelo


A revelação de uma mínima parcela dos terabytes obtidos pela PF na Operação Spoofing, com mensagens trocadas entre o ex-juiz Sérgio Moro e os Procuradores do MPF na chamada operação Lava-jato, escancararam a farsa daquele julgamento e a escalada da politização da justiça. 

A não competência do Foro de Curitiba nos casos em questão e a parcialidade do então juiz Moro eram defendidas pelos maiores juristas do país e até os de além-mar. E sustentadas, desde 2016, pela defesa do acusado Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do país por dois mandatos. A suspeição do Moro, a partir das revelações da Vaza-jato, já se apresentava não mais como uma tese, mas como algo tangível. E, agora, irrefutável pós Operação Spoofing.



Sem saída, o ministro do STF aha-uhu-o-Fachin-é-nosso, aparentemente, tenta livrar a cara do ex-juiz ou a dele própria - uma hipótese. Levou, inexplicavelmente, anos para admitir a não competência de "Curitiba". Um ex- presidente ficou preso 580 dias e foi impedido de se candidatar na última eleição, na qual se configurava como o virtual vencedor. O resto todos sabem, incluindo a condução do Moro a condição de superministro do Ministério da Justiça do Bolsonaro, o maior beneficiário das ações pouco ortodoxas, digamos assim, do ex-juiz-promotor, naquele julgamento de cartas marcadas.

A Lava-jato poderia ter sido um marco no combate a corrupção sistêmica. Conseguiu grandes feitos neste sentido, mas não se tratava apenas disso. CIA, NSA, FBI e Tio Sam que o digam. 

O Estado Democrático e de Direito respira por aparelhos, mas ainda sobrevive. 🇧🇷


Paulo, Geógrafo.

08/03/2021

sábado, 9 de janeiro de 2021

"Fora da ciência, não há vacinação".

    

 A vacina não é de São Paulo e muito menos do Dória. A vacina é da ciência brasileira, do centenário Instituto Butantan em parceria internacional. Exatamente como se dá com a FIOCRUZ.

   Aliás, se dependêssemos da política econômica ultraliberal e do Estado Mínimo do Dória e do BolsoGuedes, teríamos mais cortes na ciência, que atingiriam ainda mais instituições como o Butantan, a FIOCRUZ, o Vital Brasil, os centros de pesquisa das Universidades Estaduais e Federais, o INPE e tantos outros. A pandemia acabou não permitindo que houvesse tempo para o aprofundamento dessa lógica.

   O investimento em Meio Ambiente, Educação e Pesquisa Científica, significa investimento direto e indireto em Saúde Pública, Economia e Soberania nacionais.

(Paulo Stocco)

    

Crédito imagem: nossaciencia.com.br


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

"EXISTÊNCIA PROVISÓRIA"



Acorda de outro pesadelo
Levanta, escova os dentes tortos
Tem medo e não quer tê-lo
Entre idas e vindas, entre vivos e mortos

Atravessando pontes, cruzando esquinas
Sua vida é filmada quase todo o tempo
Nas ruas abertas da América Latina
É um número de carne e osso, ao vento

Mentiras digitais, versões oficiais
Ruído de menos,  silêncio de mais

O caminho, mais longo, a cada passo
De sol a lua, no coletivo lotado
Buracos de tiros nas placas de aço
Ranger de freios, sinal fechado

A cada pausa, do movimento pendular
Lê as letras mortas, de dor e niilismo
Em bancas de jornais , ante a luz celular
Refaz as rotas, de dúvidas e ceticismo.

Mentiras digitais, versões oficiais
Ruído de menos,  silêncio de mais (2x)


 (PC Stocco)

terça-feira, 25 de julho de 2017

MUSEU DAS VERDADES




Um velho provérbio iraniano diz que a verdade é um espelho que caiu das mãos de Deus e se quebrou. Então, cada um recolhe um fragmento e diz que toda a verdade está naquele caco. É uma analogia didática.

George Orwell teria sido o autor de uma frase, no período da Segunda Grande Guerra Mundial, que se tornaria clássica: a história é escrita pelos vencedores. A frase não é de todo destituída de razão, embora não possa ser tomada como regra universal, longe disso.

Inegável é que a história (assim como a verdade) vai sendo reescrita, revisitada ou revelada continuamente. Às vezes, submetidas à filtros, tentativas de controle ou censura. Noutros momentos, à maneira de um grito, outrora sufocado por interesses poderosos, pela distorção de fatos, ou pela mentira oficial contada mil vezes. Nos tempos modernos, falsas verdades difundidas e reforçadas por interlocutores midiáticos. Claro, não sem a cumplicidade de toda uma sociedade que se compraz na interpretação rasa da realidade. Sociedade que não se envergonha de sua própria hipocrisia e demagogia e que, paralelamente, se cala ante toda a sorte de injustiças sociais e inversões de valores. Vivemos isso no passado, vivenciamos no presente e não será diferente no futuro. Faz parte da natureza humana, dirão alguns. Sim, contradições e paradoxos acompanham a história das sociedades. E, quando consideramos componentes como o egoísmo e o orgulho, na defesa cega de interesses pessoais, de classes ou de grupos que detém a primazia do poder, entendemos que a verdade não é, necessariamente, um atributo genuinamente social, ou mesmo humano.

No Brasil de hoje, de verdades reveladas ou ocultadas seletivamente, ampliadas ou diminuídas de acordo com a lupa da nossa mídia nacional, geralmente tendenciosa e sem credibilidade. E de uma justiça desmoralizada, desde as mais altas instâncias, essa percepção fica mais evidenciada, sobretudo na profusão das chamadas “pós-verdades”, que são prontamente passadas à frente, tal como um vírus que ainda se multiplica exponencialmente, contaminando o tecido social já tão carcomido pela iniquidade nossa de cada dia. Afinal, vale lembrar que nenhuma sociedade sã possui políticos, dirigentes, empresas ou instituições doentes por si só.

Acho óbvio concluir que a posse da verdade é uma pretensão, uma bazófia. E esta presunção não é exclusividade de nenhum indivíduo, ideologia, cultura, grupo social ou povo. Neste sentido, manter o coração e a mente abertos para a dúvida, para a desconstrução e reconstrução de ideias endurecidas no cimento do preconceito, para o relativismo, em seu sentido epistemológico, denotam uma atitude inteligente, dinâmica e altamente salutar. Pelo menos para quem deseja chegar mais próximo da compreensão de fatos históricos ou contemporâneos. Acrescentaria que, não menos urgente e importante, é que mergulhemos para além da superfície. Por vezes, a escuridão abissal revela mais do que a luz dos ilusionistas, que ilude e oculta a verdade. Sejam estas verdades relacionadas ao mundo que nos cerca, sejam relacionadas ao nosso mundo interior.

Por aqui e por enquanto, uma resiliente e amnésica esperança ainda me visita, quase todos os dias, repetindo a máxima: Post tenebras lux ("Depois das trevas, luz").


Foto gentilmente cedida pelo amigo e fotógrafo Marcos Hermes - Todos os direitos reservados. Reprodução expressamente proibida.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

ONTEM, HOJE E AMANHÃ.




Não desperdicemos nosso tempo, que é único, com bobagens, futilidades, indiferença, mágoa, raiva.

As horas, os dias, os anos são convenções apenas. Tentativas humanas de formatar e contabilizar o tempo. A contabilidade da vida, no entanto, vai muito além dos números. Prestamos conta de nossas escolhas, de nossas omissões, do que fazemos com o que já sabemos, das nossas atitudes e do nosso livre-arbítrio.

A essa altura você pode achar que o que escrevo é piegas ou demagogo. Não sei. Escrevo em primeiro lugar para mim. Para que eu leia e exercite a reflexão. Compartilho por acreditar que haja conexões de pensamentos, de energia. E que possa provocar uma pausa na pauta de ocupações diárias de alguém, talvez até mudando o rumo de pessimismo, de azedume ou tristeza.

Penso que podemos e devemos aproveitar a oportunidade de sorrir e de fazer sorrir, de perdoar, de perdoar-nos, de sempre tentar viver a paz íntima. Cativando, ouvindo, partilhando. Dedicando atenção ao outro e fazendo o necessário silêncio interior. Exercitando paciência, solidariedade e boas vibrações. Seja brincando com o filho, sentado no chão do seu lar, se você tem a oportunidade de ter um. Na conversação com uma pessoa idosa, desfrutando de sua experiência de vida, através dos seus causos e memórias. Ou no atendimento fraterno ao próximo, mesmo que seja apenas para ouvir-lhe em suas aflições, angústias. Buscando, assim, quem sabe, suavizar as dores que cada um traz no coração. Não estou dizendo que precisamos sentir a dor do outro, mas sim auxiliar na superação dessa dor. E olha que o mundo é farto de dor, sobretudo pelas mãos da própria humanidade.

Então, que pelo menos na relação com o próximo mais próximo, mas não só com estes, busquemos ser fonte, ponte e oásis.

Que saibamos dos nossos potenciais e que os utilizemos com sabedoria na construção de um ambiente de saúde psicológica, observando com atenção os nossos sentimentos e pensamentos, dirigindo nossa energia no sentido de agir positivamente com o que já sabemos e o que está ao nosso alcance fazer.

Que possamos ter a certeza de que deixamos algo de bom, ao partir. E que levemos conosco só o necessário. E que sejamos gratos, hoje e sempre.

O amanhã ainda não existe. E quando ele chegar poderá não nos encontrar mais aqui. Ou nós não encontrarmos quem amamos nesta vida.


Paulo Stocco