Neste domingo (8/11/2015), o Jornal O GLOBO publicou uma nota
de primeira página com um “erramos”. O jornalista e colunista
(ex-Veja) Lauro Jardim, teve uma “informação” bombástica, dada por ele em sua
coluna havia um mês e desmentida, só agora, pelo próprio O GLOBO. A “notícia” de que um dos
filhos do ex-presidente Lula havia sido citado em uma delação premiada era
falsa, um “erro”. (http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/correcao.html).
Estamos vivendo tempos perigosos, de intolerância e embrutecimento, não há dúvidas disto. E neste contexto, com a rapidez dos fluxos de informação, com
as novas tecnologias, com a superficialidade das “notícias” e a correria do
consumismo, é fácil criar um ambiente onde a manipulação e a influência sobre a
opinião pública atinjam níveis de progressão geométrica. A eficácia desta manipulação pode ser mensurável em qualquer eleição.
Não posso afirmar que me surpreenderia se políticos petistas ou de outros partidos progressistas de esquerda, incluindo o ex-presidente Lula, tenham se beneficiado do poder político de que foram ou são depositários, a não ser que isso acontecesse há 20 anos atrás (o mesmo não posso dizer dos velhos partidos que sempre se notabilizaram pelos escândalos abafados). Mas, se assim for, que a imprensa
investigue e divulgue responsavelmente, de forma equânime e isenta (se é que
existe essa palavra no dicionário das empresas de comunicação tupiniquins).
Qualquer um pode ser acusado injustamente. Provas podem ou
não ser encontradas, nem entrarei neste mérito. Mas certas acusações levianas,
denúncias vazias e boatos falsos, divulgados estrategicamente, podem ocultar
intenções das mais ardilosas, objetivos ocultos para a maioria, nem sempre tratados explicitamente em opinião editorial.
A imprensa se constitui em um dos pilares mais caros de uma democracia. O
escritor escocês William Blake sentenciou: “Quando a imprensa não fala, o povo
é que não fala. Não se cala a imprensa. Cala-se o povo”. Mas em tempos de capitalismo
financeiro, no mundo da revolução técnico-científica-informacional, outrora já explicada
pelo geógrafo Milton Santos, é cada vez mais imprescindível desenvolver uma
leitura crítica, inclusive em relação a própria imprensa. A
linha que separa (ou une) o editorial do comercial não é nada clara para a
percepção média, e nem todos os veículos adotam o chamado ombudsman, o que deveria ser regra.
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| Baú das "notícias". |
Um ex-embaixador dos EUA na ONU, o político democrata Adlai
Stevenson, disse certa vez que “a imprensa separa o joio do trigo. E publica o
joio”. É claro que é uma generalização. No entanto, citando agora o jornalista
estadunidense Abbott Joseph Liebling, que disse que “a função da imprensa na
sociedade é informar, mas seu papel na sociedade é ganhar dinheiro”, penso que quem não desenvolve, dentro de suas possibilidades, uma visão crítica, responsável e equilibrada vai continuar sendo um mero reprodutor de "informações" tendenciosas, de meias-verdades ou de mentiras inteiras.
Paulo Stocco
Géografo, Analista Ambiental e Professor.

Estimado amigo e companheiro de ofício, suas considerações são fundamentais para este momento tão complexo da nossa jovem e engatinhante democracia. Creio que seus apontamentos se constituem como ventos favoráveis à lucidez tão urgente e necessária para os dias difíceis que enfrentamos! Ademais, vamos propagar esse novo veículo de reflexão! parabéns!
ResponderExcluirObrigado pelas palavras de incentivo caro mestre. Um blog pode ser apenas um instrumento de expressão e comunicação com o outro, e resolvi fazê-lo de forma despretenciosa. Mas como oportunidade de contato e troca de ideias se constitui numa ferramenta a mais neste mundo tão atribulado de informação em detrimento do conhecimento.
ExcluirMuito bom! Parabéns pela iniciativa .
ResponderExcluirObrigado Graça Hime pelo prestígio de sua visita e pelas palavras de incentivo!
ExcluirGostei muito de seu texto. Concordo plenamente com você, o mundo hoje está estruturado para que tudo seja feito com pressa e sem análise. Não se dá base e nem se estimula que o povo pense, que a visão crítica tenha espaço. Tudo está sendo feito para que as pessoas deixem de pensar, deixem de questionar ou só questionem e lutem pelo que é fácil e rápido de se ler e ver. Não se pensa que há entrelinhas em cada linha. Parabéns pelo blog.
ResponderExcluirValeu Maila-Kaarina, minha amiga nórdica!
ExcluirUma imprensa livre, que busque a verdade além dos "fatos" e que atenda ao direito de resposta. É o mínimo que deve exigir uma sociedade civilizada.
Agora corrigido o erro de digitação em "intenções"...rs. Obrigado bióloga Sandra Mitsue pelo alerta!
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